As vendas digitais do varejo farmacêutico cresceram 54,8% em apenas 12 meses, segundo a Abrafarma. O delivery de medicamento deixou de ser diferencial e virou expectativa do paciente. Mas quem coordena essas entregas sabe: volume maior sem roteirização de entregas para farmácias significa mais custo, mais atraso e mais reclamação.
O problema raramente é falta de entregador. O problema é que a rota não foi planejada. Sem roteirização, o motoboy escolhe o percurso por conveniência, não por eficiência. Entregas se acumulam em horários de pico, pedidos urgentes concorrem com pedidos de rotina e o coordenador perde visibilidade do que está acontecendo na rua.
Este artigo mostra, passo a passo, como estruturar a roteirização na sua operação de delivery de farmácia para reduzir tempo de entrega ao paciente e custo operacional por pedido.
Por que a última milha da farmácia ficou mais cara e mais complexa?
Três fatores se combinaram para pressionar a operação de entrega farmacêutica nos últimos dois anos.
Volume digital disparou. O faturamento das 29 redes associadas à Abrafarma no canal digital saltou de 3% para 18% do total em cinco anos, atingindo R$ 21,58 bilhões entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, de acordo com estudo auditado pela FIA-USP. No iFood, pedidos em farmácias cresceram 78% em 2024. Cada pedido online é um pedido que precisa chegar na casa do paciente.
Regulação ampliou o escopo. A RDC 812/2023 da ANVISA tornou permanente a entrega domiciliar de medicamentos controlados. Antes da pandemia, essa entrega era proibida. Agora é permitida, mas exige retenção de receita original, conferência por farmacêutico, coleta de assinatura no ato da entrega e registro para fiscalização. Cada parada ficou mais demorada.
Custo logístico pressiona a margem. A última milha pode representar até 55% dos custos operacionais de uma entrega, segundo estimativas do setor. No Brasil, os custos logísticos atingiram 15,5% do PIB em 2025, conforme o ILOS. Para farmácias com margem apertada, cada quilômetro desperdiçado corrói o resultado.
O que a roteirização resolve na prática para a farmácia?
Roteirização é o processo de definir a melhor sequência de paradas para cada entregador, considerando endereço, janela de entrega, capacidade do veículo e restrições de trânsito. Não é simplesmente “colocar no Waze”. É um cálculo que distribui a carga de trabalho de forma inteligente entre os entregadores disponíveis.
Na operação de farmácia, a roteirização ataca três problemas específicos:
Reduz o tempo de entrega sem contratar mais gente. Um estudo da Universidade de Tecnologia de Delft demonstrou que a roteirização pode reduzir o tempo de entrega em até 40% e a distância percorrida em até 30%, gerando economia de até 20% nos custos operacionais. Na farmácia, isso significa que o mesmo motoboy entrega mais pedidos no mesmo turno.
Elimina a “rota do entregador”. Sem sistema, o motoboy prioriza o que é mais fácil para ele. Entrega três pedidos perto de casa dele e deixa o pedido do condomínio para depois. Com roteirização, a sequência é definida pelo sistema com base em proximidade e urgência, não em preferência pessoal.
Dá visibilidade ao coordenador. Em vez de ligar para cada entregador perguntando onde está, o coordenador acompanha todas as rotas em tempo real e sabe quais entregas foram finalizadas, quais estão em andamento e quais têm risco de atraso.
Como estruturar a roteirização na sua farmácia: passo a passo
Abaixo, um roteiro prático para o coordenador que quer sair do planejamento manual de rotas e estruturar o processo. Não precisa de projeto de meses. O objetivo é ter uma operação organizada em dias.
1. Mapeie o volume e os padrões de entrega atuais
Antes de qualquer ferramenta, levante os dados básicos da sua operação:
- Quantas entregas por dia, por turno e por loja?
- Qual o tempo médio entre pedido fechado e entrega realizada?
- Quantas entregas são frustradas (cliente ausente, endereço errado)?
- Quanto você gasta por entrega hoje (combustível + motoboy + tempo)?
Se você não tem esses números, comece registrando durante uma semana. Sem baseline, não há como medir melhoria.
2. Defina zonas de entrega e janelas de despacho
Divida a área de cobertura da farmácia em zonas. Para cada zona, defina uma janela de despacho. Por exemplo: pedidos da zona norte são despachados às 9h, 13h e 17h. Pedidos da zona sul, às 10h, 14h e 18h.
Essa divisão permite agrupar pedidos por proximidade geográfica, reduzindo deslocamento e aumentando o número de paradas por viagem. Uma rota com dez paradas em um raio de dois quilômetros custa significativamente menos do que dez paradas espalhadas pela cidade.
3. Estabeleça regras de prioridade por tipo de pedido
Nem todo pedido tem a mesma urgência. Medicamentos controlados, por exemplo, exigem conferência farmacêutica e coleta de assinatura (RDC 812/2023). Medicamentos de uso contínuo para pacientes crônicos podem ter janela mais flexível. Manipulados costumam ter prazo combinado.
Defina pelo menos três níveis: urgente (entrega em até 2h), padrão (até 4h) e agendado (janela definida pelo cliente). O sistema de roteirização usa essa prioridade para sequenciar as paradas.
4. Distribua entregas entre entregadores com despacho automatizado
A distribuição manual é onde o coordenador mais perde tempo. Em muitas farmácias, o processo ainda funciona assim: o coordenador olha os pedidos pendentes, decide de cabeça qual motoboy vai pegar cada lote e manda por WhatsApp. Isso consome de 30 a 60 minutos por turno e gera erros de alocação.
O despacho automatizado elimina essa etapa. Com base nos endereços, prioridades, janelas de entrega e localização de cada entregador, o sistema calcula a melhor distribuição e envia a rota direto para o app do motoboy, sem intervenção manual do coordenador. A roteirização e a distribuição acontecem em sequência, de forma automática.
O resultado é uma rota otimizada para cada entregador, com a sequência de paradas, o tempo estimado por trecho e o horário previsto de chegada em cada endereço. O coordenador valida em poucos cliques e libera o despacho.
5. Acompanhe a execução em tempo real
Planejar a rota é metade do trabalho. A outra metade é garantir que ela está sendo seguida. O monitoramento em tempo real permite:
- Identificar desvios de rota antes que virem atraso
- Redirecionar entregas quando um motoboy tem imprevisto
- Notificar o paciente automaticamente sobre o status da entrega (reduz ligações para o balcão)
Quando o paciente sabe onde está o pedido, a percepção de qualidade melhora. Menos ligação no balcão, menos retrabalho para a equipe.
6. Registre a comprovação de entrega de forma digital
Para medicamentos controlados, a ANVISA exige coleta de assinatura e registro para fiscalização. Mas mesmo para medicamentos sem receita, a comprovação digital (foto, assinatura, geolocalização) protege a farmácia contra contestações e cria histórico auditável.
A comprovação fecha o ciclo operacional: o pedido saiu do PDV (ponto de venda), foi roteirizado, distribuído, monitorado e agora tem prova de que chegou ao destino correto.
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Quais indicadores acompanhar depois de roteirizar?
Com a roteirização implementada, o coordenador precisa de métricas para saber se a operação está melhorando. Três indicadores são essenciais:
Tempo médio de entrega (pedido fechado → entrega realizada). Compare semana a semana. Se a roteirização está funcionando, esse número cai mesmo com volume crescente.
Custo por entrega. Some combustível, valor pago ao motoboy e custos indiretos (tempo de planejamento, reentregas). Divida pelo total de entregas. A referência é reduzir esse número em pelo menos 15-20% nos primeiros 60 dias de operação roteirizada.
Taxa de entrega na primeira tentativa. Cada reentrega custa em média US$ 17,20, segundo dados do setor. Quanto maior a taxa de sucesso na primeira tentativa, menor o custo operacional. Notificação automática ao paciente antes da chegada do entregador é a forma mais eficaz de aumentar essa taxa.
E se a farmácia ainda tem volume pequeno?
Volume pequeno não significa que roteirização não faz sentido. Significa que o impacto é proporcional. Uma farmácia com 30 entregas por dia e 3 motoboys que reduz 30% da distância percorrida economiza combustível, ganha tempo e melhora o NPS.
O ponto de virada não é o volume. É a complexidade. Se a farmácia tem mais de um entregador, mais de um turno de despacho e promete prazo ao cliente, ela já tem complexidade suficiente para que o planejamento manual gere desperdício.
Dados do Instituto AXXUS e Sebrae mostram que 86% das farmácias independentes ainda operam com processos manuais de controle. Enquanto isso, as grandes redes investem em roteirização e delivery estruturado. O gap competitivo se aprofunda a cada trimestre.
O que muda com o receituário eletrônico e a RDC 812/2023?
Duas mudanças regulatórias recentes afetam diretamente a operação de entrega:
Entrega de controlados é permanente, mas com regras. A RDC 812/2023 exige que o farmacêutico confira a receita antes do despacho, que a receita original seja retida, que assinaturas sejam coletadas na entrega e que registros sejam mantidos para fiscalização. Na prática, cada entrega de controlado é mais demorada. A roteirização precisa considerar esse tempo extra na estimativa de cada parada.
Receituário eletrônico integrado ao SNCR (Sistema Nacional de Controle de Receituários) tem transição prevista até junho de 2026. A nova RDC aprovada pela ANVISA exige assinatura digital ICP-Brasil, numeração única e rastreabilidade total. A farmácia que já opera com comprovação digital de entrega estará um passo à frente quando essa integração for exigida.
Perguntas frequentes
Já tentei um sistema de entregas e a equipe não usou. Como evitar isso?
A resistência geralmente acontece quando o sistema é complexo demais ou quando o entregador não entende o benefício. Comece com o mínimo: rota no app e confirmação de entrega com um toque. Sem formulários longos. O motoboy precisa sentir que o sistema facilita o trabalho dele, não que adiciona burocracia. Treinamento de 15 minutos no início do turno resolve 80% da resistência.
Meu volume ainda é pequeno. Vale a pena roteirizar?
Se você tem mais de um entregador e promete prazo ao cliente, sim. A roteirização não é sobre volume, é sobre previsibilidade. Com 20 entregas por dia e 2 motoboys, a diferença entre uma rota planejada e uma rota improvisada pode ser de 40 minutos por turno. Multiplicado por 22 dias úteis, são quase 15 horas por mês que você recupera.
O iFood já cuida das minhas entregas. Preciso de roteirização?
O iFood cuida das entregas feitas pelo iFood. Pedidos via balcão, telefone, WhatsApp e site próprio continuam sob sua responsabilidade. Além disso, o iFood cobra comissão por pedido. Estruturar seu delivery próprio com roteirização é o caminho para reduzir dependência de marketplace e manter margem.
Preciso integrar com meu PDV ou ERP antes de começar a roteirizar?
Integração é ideal, mas não é pré-requisito para começar. O ecossistema de farmácias usa PDVs (sistemas de ponto de venda) como Trier, Farmasoft e Linx, além de ERPs como TOTVS e Sankhya para gestão de estoque e faturamento. A integração conecta o pedido fechado no PDV diretamente à plataforma de roteirização, eliminando digitação manual e reduzindo erros.
Na prática, muitas farmácias iniciam importando pedidos por planilha, XML de nota fiscal ou digitação direta e evoluem para integração via API depois de validar o processo. O importante é começar a roteirizar com o que tem hoje. A integração com o PDV ou ERP automatiza a entrada de pedidos e é o passo natural de evolução, não de partida.
A roteirização funciona para entrega de medicamentos controlados?
Sim. A roteirização planeja a rota da mesma forma. O que muda é o tempo por parada: para controlados, o entregador precisa coletar assinatura e o sistema deve registrar a comprovação conforme exige a RDC 812/2023. Uma boa ferramenta de roteirização permite configurar tempo extra por tipo de entrega, garantindo que a rota reflita a realidade operacional.
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